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Uma Nova Proposta de Teste de Retorno aos Jogos, Após uma Lesão de LCA

6 de jul.
4 min de leitura

Por Michael Boyle 

Tradução Livre: Bárbara Silva e Sidiclei Souza 



Na Mike Boyle Strength and Conditioning nós consistentemente vemos os atletas serem “liberados” para os treinos após uma cirurgia de reconstrução do LCA, que consideramos longe de estarem prontos.


O teste para retorno aos jogos sempre é feito em uma sala pequena de fisioterapia, e honestamente isso não parece fazer muito sentido, pelo menos sob a perspectiva de um treinador de força e condicionamento. Dois métodos parecem ser mais empregados. 


1- O Teste dos Três Saltos Unilaterais (Three Hop Test). 

Esse é realmente bizarro do ponto de vista do treino de força e condicionamento. Para voltar a jogar, o atleta é solicitado a fazer algo que nunca fez e que é potencialmente perigoso, principalmente se não estiver pronto para um teste de saltos múltiplos. É importante ressaltar que no treinamento nunca fazemos múltiplos saltos em distância, mesmo com atletas saudáveis.


*Vou usar o termo single leg hop, embora o termo seja claramente redundante. Um Hop é um salto decolando e aterrissando com a mesma perna, portanto, dizer single leg hop é redundância. Dito isso, sempre usamos essa descrição e continuaremos. Observe que você não pode pular duas vezes. As atividades bilaterais são saltos (jumps). Portanto, ultrapassar um obstáculo com as duas pernas é um salto com barreira (hurdle jump), não um hurdle hop. 

Em todo caso, eu não morro de amores pela ideia de fazer três saltos unilaterais em distância para comparar os resultados de uma perna reconstruída com uma perna não lesionada. Sou particularmente contra se o atleta está sendo exposto pela primeira vez a múltiplos saltos unilaterais feitos em distância. 


Em vez disso, eu proporia um teste de cinco hurdle hop, com as barreiras espaçadas em 90cm a 120cm. Os saltos devem ser feitos continuamente, sem pausas ou reinicializações. O movimento deve ser fluido e ininterrupto. Em uma falha o atleta precisará fazer uma pausa, ou perderá o equilíbrio. Em geral, usamos barreiras de 15 cm a 30 cm para mulheres e de 30 a 45cm para homens. Isso pode ser modificado com base na altura, idade, etc. Atletas mais jovens, mais baixos, mais fracos ou mais pesados provavelmente podem utilizar barreiras de 15cm.


O segredo aqui é que o atleta deve passar por uma progressão inicialmente fazendo uma pausa após o salto (hop and stick), depois fazendo um “saltito” entre os saltos sobre as barreiras (hop and mini-bounce), e finalmente passar para os saltos contínuos antes de fazer o “teste”.


2- O Teste de Força do Quadríceps

A força do quadríceps pode ser testada por meio de um dinamômetro portátil, ou com algum tipo de máquina (KinCom, BioDex etc.). Esta é uma técnica desatualizada, mas agora moderna, que ressurgiu no campo da fisioterapia. É importante observar que o teste quádruplo isolado não leva em consideração a função do joelho ou a co-contração muscular.

O fortalecimento e o treino isolado do quadríceps são os novos queridinhos da indústria da fisioterapia, e não posso deixar de pensar que os fabricantes de máquinas estão forçando esse conceito para a área da reabilitação.


Nosso teste substitutivo proposto aqui seria um teste de agachamento unilateral feito até que a coxa fique paralela ao chão (geralmente 35cm de altura). Usamos uma configuração muito simples composta por uma caixa de 15cm (para ficar de pé), uma caixa de 45cm para agachar (tocar o glúteo) e um bloco de yoga em dela 18” para obter a profundidade adequada. As alturas dos blocos podem variar dependendo da altura do atleta, mas nos esforçamos para um agachamento unilateral com o fêmur paralelo ao chão. O agachamento unilateral testa a força de maneira funcional (pé no chão) e requer co-contração de flexores e extensores, além de controle do plano frontal. Simplesmente observar um torque no quadríceps, ou sua força isométrica, é extremamente míope. Se o seus atletas não conseguem fazer o agachamento em uma perna, ELES NÃO ESTÃO PRONTOS PARA VOLTAR A JOGAR! Nenhum salto é permitido. As mulheres devem usar 10% e os homens 30% do peso corporal. Se eles não conseguem lidar com a carga externa em um agachamento unilateral, eles não estão fortes o suficiente para voltar a jogar!


A Proposta de um Terceiro Teste

Eu proporia adicionar uma avaliação visual da capacidade de desaceleração. Este é um teste puramente visual, mas vai chamar sua atenção. Todos os nossos atletas correm sprints cronometrados (testes de 10 jardas - 10-Yard Fly, com “voos” de anteriores de várias distâncias).


*O que é um 10-Yard Fly? É um sprint de 10 jardas, com um intervalo de corrida anterior (voo) à distância cronometrada. Nossos atletas começam com um “voo” de 5 jardas e progridem para um de 10 a 20 jardas. Isso significa que sempre cronometramos as últimas 10 jardas, mas progredimos a distância do voo.


O segredo aqui é que a capacidade do atleta de desacelerar (ou a falta dela) fica muito óbvia. Nas palavras do ex-juiz da Suprema Corte Potter Stewart, “você saberá quando vir”. Atletas que não estão prontos muitas vezes serão capazes de correr bem (vimos recordes pessoais), mas haverá uma hesitação óbvia na parte de desaceleração do sprint.

Em qualquer caso, um atleta que consiga fazer cinco saltos com barreiras contínuos e fluidos, agachamentos unilaterais com cargas superiores ao peso corporal, e seja capaz de desacelerar adequadamente, está pronto para voltar a jogar.


Se a sua desculpa é que sua clínica não está preparada para esses testes, então não está preparada para testes de retorno ao jogo após uma lesão de LCA. Se for esse o caso, faça parceria com um treinador de desempenho esportivo de boa reputação para que você possa realmente determinar se seu atleta está realmente pronto. Como treinadores de força e condicionamento físico, o número de atletas que vemos “liberados” e que não estão prontos é de quase 100%. Melhores critérios de retorno ao jogo significarão melhores resultados e menores taxas de reincidência. Sabemos que não podemos evitar lesões no LCA ou novas rupturas, mas podemos claramente fazer um trabalho melhor com critérios para retorno ao jogo.


 
 
 

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