Treino de Saltos: Além do Salto Vertical
Andy Tewllman
Tradução livre: Sidiclei Souza e Bárbara Silva

Durante esses poucos anos que temos treinado atletas na Train 4 The Game, procuramos sempre nos mantermos focados em como ajudá-los a saltar mais alto. No final de cada fase de treinos nós os testávamos para ver o quanto tinham melhorado seus saltos verticais, e invariavelmente eles saltavam mais alto e todos ficavam felizes. Foi quando começamos a assistir vídeos de lesões ocorridas no basquete, e um dia começamos a entender que talvez estivéssemos esquecendo uma peça do quebra-cabeça. O que estávamos fazendo era buscar resultados, mas começamos a perceber que apesar do nosso sucesso ajudando-os a saltarem mais alto, nós poderíamos fazer isso melhor, tanto em termos de desempenho quanto de prevenção de lesões.
Nesse tempo, a maioria dos nossos atletas jogava basquete ou vôlei, então nós demos um passo atrás e os observamos jogando. Procurávamos ver como eles saltavam e como se moviam. Vimos que às vezes eles tinham que saltar 2 ou 3 vezes seguidas com apenas um pequeno contato no solo entre os saltos. O jogador que conseguia saltar mais rápido novamente sempre vencia a disputa.
Nós também observamos como eles se preparavam para os saltos. Às vezes o pulo era precedido por uma grande flexão do tronco e balanço dos braços, outras vezes o tronco permanecia praticamente ereto e os braços acima da cabeça. Ainda mais interessante, notamos que os atletas raramente aterrissavam com os pés bem posicionados como nós os ensinávamos. Parecia que estavam mais preocupados com a bola do que com o pouso. Às vezes caiam com os dois pés, mas outras vezes apenas com um. Às vezes aterrissavam no mesmo lugar de onde pulavam, mas a maioria das vezes era em um lugar diferente. Também acontecia dos braços permanecerem acima da cabeça, buscando alcançar a bola, em vez de auxiliarem na impulsão.
O que começamos a entender foi que enquanto saltar mais alto e mais eficientemente era uma importante parte do jogo, era muito mais complicado que apenas isso. Eles precisavam ser capazes de saltar com uma vantagem mecânica na flexão do quadril e no balanço dos braços, mas também precisavam ser efetivos ao pular (e aterrissar) sob uma desvantagem mecânica.
Algumas variáveis a se considerar quando avaliamos as demandas dos saltos nos esportes
1. A ação dos braços. Às vezes balançando, outras com as mãos acima da cabeça, alcançando e com rotações.
2. Duração da fase de amortecimento.
3. Distribuição do peso, 1 perna vs 2.
4. Os planos dos saltos, No lugar, para frente, para trás, com rotação, etc.
5. Distribuição do peso na aterrissagem, 1 perna vs 2.
6. Direcionamento da atenção.
Nesse momento, nós quase sempre treinávamos tanto sem a ação dos braços, quanto com o seu balanço. Também focamos na aterrissagem suave com uma e com duas pernas, permitindo que a flexão de joelhos e quadril para ajudar a dissipar as forças e criar estabilidade.
Entretanto, começamos a suspeitar que além de melhorar a habilidade de saltar mais alto a partir de uma variedade de posições, talvez nós fossemos capazes de prevenir algumas lesões durante as aterrissagens que são inerentes aos esportes, se nós incluíssemos algumas atividades em nosso programa. Claramente, a parte superior dessa cadeia tem um grande impacto na parte inferior, e vice versa. A lição que aprendemos foi que raramente durante a competição as ações são realizadas com foco nos saltos. Em vez disso, vimos que os saltos são influenciados pela posição e direção da bola, dos outros jogadores, e outras variáveis que sempre mudam. Essas variáveis requerem ajustes no corpo.
O que compreendemos foi que em vez de dedicarmos todo nosso tempo treinando os atletas para saltarem e aterrissarem de certa maneira, talvez fôssemos mais bem sucedidos se os ensinássemos a saltar e aterrissar de diferentes formas. De um jeito que caso fosse necessário ajustar durante o jogo, eles fossem capazes de fazê-lo. As consequências de não ser capaz de realizar essas adaptações foi o fim da carreira de muitos atletas. Insira os saltos bilaterais, unilaterais e multidirecionais. Saltando e caindo com os dois pés, de um pé para o mesmo, de um pé para o outro, de dois pés para um, de um pé para dois, cobrindo todas as possibilidades. Adicione a tudo isso diferentes alcances e balanços de braços, e de repente você irá dispor de uma enorme caixa de ferramentas. A parte interessante é que isso é baseado no estágio atual do atleta e na demanda do seu esporte, você provavelmente só precisará ligar os pontos e entender o contexto.
Você também terá flexibilidade para progredir inteligentemente os atletas conforme eles melhoram sua mobilidade e estabilidade para controlar seus corpos. O que você deve guardar é que por observar a biomecânica requerida no esporte, você pode ser muito bem sucedido adicionando poucos componentes a programação que irão ajudar no desempenho deles e diminuir o risco de lesões.
Assista aos exemplos de exercícios no vídeo: http://www.strengthcoach.com/members/1358.cfm



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