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Programas para Grupos de Adultos: Modelo e Método da MBSC

26 de ago.
17 min de leitura

Por Jess Tollman

Tradução Livre: Sidiclei Souza


Como Criar Programas de Treinamento em Grupo para Adultos Durante Todo o Ano


Projetar programas eficazes de treinamento em grupo para clientes adultos da população em geral é um dos desafios mais difíceis - e mais importantes - para o treinador de força e condicionamento.

A maioria dos adultos treina apenas duas sessões de uma hora por semana, três se tivermos sorte. Eles chegam com diferentes históricos de lesões, capacidades de movimento, níveis de estresse e objetivos. Como coaches, somos solicitados a entregar resultados, manter as pessoas seguras e criar uma experiência que mantenha os clientes na academia - tudo em escala.

Este artigo descreve o modelo usado na MBSC para programação de treinos, para grupos de adultos durante todo o ano: um sistema prático e orientado por princípios que permite que os treinadores ofereçam treinamento consistente e progressivo a adultos de diversas idades e habilidades sem sacrificar a qualidade ou a individualização.

 

Por que o Treinamento em Grupo para Adultos é Importante


O treinamento em grupo para adultos é importante porque afeta diretamente como as pessoas vivem — não apenas como elas se saem na academia.

Quando projetamos programas para grupos de adultos, não estamos simplesmente escrevendo exercícios. Estamos construindo sistemas que ajudam as pessoas a se mover melhor, se sentir melhor e manter a independência. Se conseguirmos que os adultos treinem consistentemente apenas dois a três dias por semana, podemos influenciar significativamente sua saúde, função e qualidade de vida [Fig. 1].


Fig. 1. Por meio de treinamentos progressivos e de qualidade, ajudamos os clientes a manter sua capacidade funcional e a reduzir o risco de lesões e incapacidades, especialmente nas últimas décadas da vida.
Fig. 1. Por meio de treinamentos progressivos e de qualidade, ajudamos os clientes a manter sua capacidade funcional e a reduzir o risco de lesões e incapacidades, especialmente nas últimas décadas da vida.

A questão é esta: você quer passar seus últimos dez a quinze anos de vida com qualidade - ou simplesmente sobrevivendo? Essa é a diferença que o treinamento faz na capacidade funcional à medida que envelhecemos.

O exercício regular no início da vida e na idade adulta reduz o risco de lesões e doenças ao envelhecermos. Força, condicionamento físico e coordenação permitem que os adultos mais velhos gastem seu tempo fazendo coisas mais importantes - viver independentemente, viajar, brincar com os netos e permanecer engajado em suas comunidades. Quanto mais destreinados formos, menor será nossa capacidade funcional. À medida que a capacidade diminui, as pessoas ficam limitadas nas atividades de lazer, restritas nas atividades da vida diária e mais propensas a incapacidade e doenças crônicas.

O exercício é uma poderosa medicina preventiva. O treinamento regular e progressivo melhora a saúde cardiovascular, a função cerebral, os marcadores metabólicos e a resiliência musculoesquelética. Como treinadores, ajudamos as pessoas a ter acesso a este "medicamento' de forma segura e eficaz — traduzindo a ciência em práticas do mundo real. O treinamento é uma fonte da juventude. O músculo é uma armadura metabólica. A preparação é como ajudamos nossos clientes a acessar o tesouro da saúde, resiliência e independência a longo prazo.

A necessidade do nosso trabalho como coaches é enorme. Os distúrbios musculoesqueléticos são uma das principais causas de incapacidade. As quedas são a principal causa de morte acidental em adultos com mais de 50 anos. As doenças crônicas continuam a aumentar. A demanda por programação adulta inteligente e responsável nunca foi tão alta.


Como Mike Boyle costuma dizer:

"Não estamos no negócio de fitness — estamos no negócio de mudança de vida".


Isso é especialmente verdadeiro em ambientes de grupos adultos, onde o preparação cuidadosa do programa pode ser a diferença entre a participação de curto prazo e a consistência do treinamento a longo prazo.

 

Estudo de Caso: Treinamento Para a Vida

Um exemplo claro de por que este trabalho é importante é o meu cliente Chris.

Chris é um professor titular de filosofia de 84 anos com uma mente afiada e um senso de humor perverso. Há sete anos, ele foi diagnosticado com doença de Parkinson. Seus médicos lhe disseram que o treinamento de resistência e o trabalho de coordenação eram as intervenções mais impactantes disponíveis para retardar a progressão.


Fig. 2. Resultados da pesquisa de treinamento em grupo de adultos MBSC (2025)
Fig. 2. Resultados da pesquisa de treinamento em grupo de adultos MBSC (2025)

Parkinson é uma condição degenerativa e o declínio é inevitável. No entanto, como Chris treina força duas vezes por semana e mantém um estilo de vida ativo, sua taxa de declínio tem sido notavelmente lenta. Seus médicos costumam comentar sobre o quão bem ele está se saindo em relação às expectativas.

O treinamento do Chris  não é nada extravagante. Ele adora arremessos de bola medicinal e

Flexões. Quando ele começou, quatro anos atrás, ele podia fazer cinco flexões. Hoje, consegue fazer quinze.

Chris continua a escrever, ensinar e fazer apresentações para públicos de elite em todo o mundo. Embora ele tenha desacelerado um pouco, ele continua competente, competitivo e capaz em sua profissão.

 

A missão da Programação para Grupos de Adultos

Este é o verdadeiro objetivo do treino de adultos: preservar a função, a independência e o propósito pelo maior tempo possível.

Fizemos uma pesquisa com nossos 350 clientes dos grupos de treinamento para adultos perguntando por que eles treinam [Fig. 2]. Notavelmente, as três principais razões pelas quais os clientes se inscrevam e permanecem na MBSC estão relacionadas à longevidade. À medida que os clientes ficam conosco por mais tempo, objetivos como envelhecer bem e viver muito se tornam mais importantes, enquanto a perda de peso e a composição corporal se tornam menos centrais. Os clientes tendem a se importar mais com a função do que com a estética.

Com treinamento progressivo e de qualidade, podemos ajudar os clientes a manter a independência, reduzir o risco de lesões e atrasar a disfunção— especialmente nas últimas décadas da vida. A diferença é se alguém passa seus últimos anos com qualidade ou apenas sobrevivendo.

O desafio não é tanto o que fazer. Duas sessões de uma hora de treino de corpo inteiro por semana podem melhorar drasticamente os resultados. O desafio é como oferecer esse nível de treinamento em escala para clientes com habilidades, limitações e objetivos variados.

Isso requer um sistema.


Como estruturamos um programa de treinamento de força para o ano todo?


A programação eficaz começa com uma estrutura clara.

Na MBSC, organizamos um ano inteiro de treinamento em blocos simples e repetíveis:

  • 1 ano = 4 estações

  • 1 estação = 3 fases

  • 1 fase = 1 mês

  • 1 mês = 4 semanas


Essa estrutura nos permite planejar intencionalmente enquanto permanecemos flexíveis em contato com os clientes.

Cada temporada é um bloco de treinamento discreto em que enfatizamos movimento específico, habilidades e qualidades de condicionamento físico. Dentro de cada estação, progredimos através de três fases intencionais. Cada fase se baseia na anterior, aprimorando as habilidades e aumentando a dificuldade de maneira lógica e treinável.

As estações funcionam como mesociclos — unidades completas de treinamento que se baseiam e divergem ligeiramente das habilidades de movimento enfatizadas na estação anterior. Dividir o ano em quatro blocos de três meses nos permite programar em lotes, gerenciar a fadiga e garantir que os meses sucessivos de treinamento sigam uma lógica clara e progressiva, em vez de sermos aleatórios ou reativos.


Fig. 3. Um ano de treinamento: ondas progressivas e ondulatórias de intensidade.
Fig. 3. Um ano de treinamento: ondas progressivas e ondulatórias de intensidade.

Fase 1: Estabelecer a Linha de Base

A Fase 1 existe para desenvolver a competência e a confiança do movimento.

Nesta fase, selecionamos versões simples e altamente treináveis de nossos principais padrões de movimento. Esses exercícios de "linha de base" geralmente incluem restrições internas — o que às vezes chamamos de treinadores assistentes — que ajudam os clientes a encontrar posições melhores para sobrecarregar os tecidos certos. As restrições podem assumir a forma de dicas verbais (por exemplo, "chute a parede atrás de você") ou adereços físicos (por exemplo, algo sob os dedos dos pés) que melhoram a execução do exercício.

Por exemplo, considere o single-leg deadlift com alcance cruzado. Muitas vezes, colocamos um alvo como um cone para o cliente e adicionamos um banco na lateral da perna de trabalho para um auxílio mínimo à estabilidade. O alcance incentiva os quadris a se mover horizontalmente de volta ao espaço, tornando relativamente fácil para o cliente manter uma coluna longa, evitando arredondar as costas.

O leve alcance cruzado do braço, contralateral à perna apoiada, incentiva a pélvis a girar internamente o fêmur dessa perna - ou, em linguagem amigável ao cliente, "manter os quadris alinhados ao chão". Também pedimos para apontar os dedos da perna de trás "para dentro", incentivando o quadril a ficar alinhado ao quadril da perna em contato com o chão, promovendo ainda mais a rotação interna do quadril. Juntas, essas restrições ajudam a enquadrar a pelve e a criar um melhor comprimento nos glúteos e isquiotibiais - nossos grupos musculares-alvo.


Fig. 4. SLDL com alcance cruzado
Fig. 4. SLDL com alcance cruzado

Essas restrições (alcance cruzado, cone como alvo, banco) permitem que os clientes pratiquem movimentos de alta qualidade antes que a intensidade aumente. O objetivo da Fase 1 é padronizar o movimento enquanto minimiza o risco, estabelecendo uma base sobre a qual a força pode ser construída. Esse investimento inicial na qualidade do movimento prepara o terreno para o progresso a longo prazo.


Fase 2: Aumente o Desafio

A Fase 2 introduz um modesto aumento no desafio ao padrão de movimento estabelecido.

Podemos aumentar a carga, reduzir a assistência ou introduzir uma complexidade leve. Um single-leg deadlift com cabo na polia é uma progressão comum. A carga aumenta enquanto a linha horizontal de tração continua a guiar o posicionamento. Com a carga do cabo na frente do corpo, o cliente deve projetar posteriormente o quadril para manter o equilíbrio e evitar cair para a frente.


A fixação do cabo também fornece um ponto de estabilidade relativa, reduzindo ligeiramente o desafio de equilíbrio em comparação com as progressões posteriores com halteres ou kettlebell. Essa variação é mais exigente do que a SLDL de alcance cruzado da Fase 1, mas ainda mantém restrições importantes para reforçar o posicionamento adequado.


Fig. 5. SLDL com Cabo
Fig. 5. SLDL com Cabo

A Fase 2 serve como uma ponte entre a competência fundamental desenvolvida na Fase 1 e o controle independente exigido na Fase 3.


Fase 3: Domine o Padrão


A Fase 3 pede aos clientes que gerenciem o movimento com maior desafio e assistência mínima.

Um one-dumbbell single-leg deadlift remove a orientação externa e aumenta significativamente as demandas de equilíbrio e controle do tronco. A linha vertical de gravidade requer um deslocamento de peso posterior mais intencional no quadril, bem como maior estabilidade da coluna vertebral. O potencial de carga também é significativamente maior do que nas variações anteriores.


Na Fase 3, os clientes devem manter a técnica estabelecida nas fases anteriores com menos restrições externas e maior carga. Os ganhos de força agora ocorrem juntamente com o controle motor aprimorado e a consciência posicional.


Fig. 6 1DB SLDL
Fig. 6 1DB SLDL

Redefinir a Linha de Base para a Próxima Estação

 

No início da próxima Estação, redefinimos a categoria com uma nova linha de base e progredimos com uma variação que é a mesma, porém diferente.

Por exemplo, podemos passar de um verdadeiro single-leg hinge para um kickstand deadlift. Isso introduz variação sem abandonar o padrão de movimento que trabalhamos duro para estabelecer. Na MBSC, adoramos a ideia de variação sem alterações - mudanças sutis que mantêm o treinamento envolvente para os clientes, preservando a consistência subjacente do nosso programa.

Nosso objetivo é que cada nova linha de base seja um pouco mais desafiadora do que a linha de base da estação anterior, permitindo que o progresso se acumule ao longo do tempo [ver Fig. 3].

Por exemplo, podemos padronizar um bodyweight reaching kickstand deadlift no aquecimento durante a Fase 3. Então, na Fase 4 - a fase de linha de base da Estação 2 - podemos começar com um cable kickstand deadlift, depois progredir na Fase 5 para o one-dumbbell kickstand deadlift, eventualmente, avançar na Fase 6 para o two-dumbbell kickstand deadlift. Tanto o ponto de partida quanto o ponto final da 2ª Estação são intencionalmente mais desafiadores do que suas contrapartes na 1ª Estação.

Essa estrutura de programação progressiva e em ondas equilibra consistência e novidade — fatores-chave tanto para a adaptação quanto para a adesão. A lógica do nosso sistema de treinamento durante todo o ano fornece resultados, mantendo os clientes envolvidos no longo prazo.


Fig. 7. 1DB Kickstand Deadlift
Fig. 7. 1DB Kickstand Deadlift

Simples, não é fácil. Esta é a arte da programação de treinos.


Princípios para Orientar a Seleção de Exercícios

Antes de escolher os exercícios, contamos com um conjunto claro de princípios orientadores:

  • Treinamento de corpo inteiro

  • Movimentos compostos

  • Priorizar o trabalho unilateral

  • Baixo risco, alta recompensa

  • Dose mínima eficaz


A maioria dos clientes treina dois dias por semana, às vezes três, em sessões de uma hora. Essa realidade exige que cada sessão seja eficiente e eficaz, abordando todos os principais grupos musculares e padrões de movimento.

Os treinos divididos pelas partes do corpo não são apropriados para esta população. Os exercícios isolados são reservados para trabalhos acessórios (por exemplo, parte superior do corpo: manguito rotador e estabilizadores escapulares; por exemplo, parte inferior do corpo: flexores do quadril, adutores, panturrilhas). Priorizamos exercícios que proporcionam o maior retorno sobre o investimento — "ótimo custo-benefício."

Priorizamos o treinamento unilateral, particularmente para a parte inferior do corpo. A vida - e a maioria dos esportes - acontece em grande parte em uma perna, por isso faz sentido treinar dessa forma. O trabalho em uma perna também reduz a compressão da coluna em comparação com movimentos bilaterais, ao mesmo tempo em que aumenta as demandas de estabilidade e coordenação. Isso permite uma carga significativa com menor risco de lesão - alta recompensa, baixo risco.

Acreditamos que o exercício deve desafiar os clientes sem comprometer a segurança. O progresso vem de fazer o que é necessário para impulsionar a adaptação, não de empurrar os clientes para maximizar cada série de cada treino.

Esses princípios simplificam a tomada de decisões e nos permitem manter a consistência de dezenas de coaches e centenas de clientes. Nosso cliente médio é uma pessoa comum com um trabalho de mesa regular e metas regulares - e nossa programação reflete essa realidade.


Simples, seguro, inteligente.

 

Como categorizamos os exercícios?

Para tornar este sistema escalável, organizamos o treinamento em torno de categorias de exercícios, em vez de exercícios individuais. Essas categorias são baseadas nos seguintes padrões de movimento primário:

  • Dominância de Joelho

  • Dominância de Quadril

  • Empurrar

  • Puxar

  • Core

  • Carregar

  • Acessório (Não é um padrão propriamente dito, mas sim uma categoria abrangente para todo o trabalho de "prehab" (prevenção de lesões) e exercícios isolados)

 

Organizar o treinamento por padrões de movimento - em vez de pelo nome do exercício - nos permite dimensionar a programação em grandes grupos, mantendo a estrutura e a intenção.

 

Subcategorias Dentro de Cada Padrão de Movimento

Podemos dividir ainda mais esses padrões em subcategorias, que orientam ainda mais a seleção e a progressão do exercício:


              Dominância de Joelho

  • Bilateral

  • Unilateral

  • Lateral


              Dominância de Quadril

  • Bilateral

  • Unilateral

  • Extensão do quadril

 

              Empurrar

  • Semi-vertical

  • Horizontal


              Puxar

  • Semi-vertical

  • Horizontal


              Core

  • Anti-Extensão

  • Anti-Flexão Lateral

  • Anti-Rotação


              Carregar


              Acessório

  • Quadril

  • Ombro

  • Tornozelo

  • Alongamento


Essas categorias de exercícios formam a espinha dorsal de nossos modelos de programas sazonais e mensais, permitindo-nos alternar e implementar os treinos ao longo dos meses, garantindo que cada padrão de movimento essencial seja trabalhado.

O treinamento é semelhante à alimentação, é necessário que os “nutrientes” essenciais permanecem consistentes. Todo programa de treinamento de qualidade inclui todos os padrões primários de movimento, assim como toda refeição equilibrada inclui todas as categorias de macronutrientes: proteínas, gorduras e carboidratos.

Uma refeição desequilibrada é aquela em que um macronutriente está ausente. Uma refeição composta por arroz, peixe e brócolis é mais equilibrada do que uma refeição composta por arroz, batatas e pão. Da mesma forma, um programa composto apenas de movimentos de empurrar e dominância de joelho é menos equilibrado do que um que também inclui movimentos de puxar e dominância de quadril.

Existem muitas maneiras de atender às necessidades nutricionais - e, de atender às necessidades de treinamento - mas as categorias essenciais nunca mudam.

Essa abordagem categórica mantém a programação simples e repetível. Quando você consegue identificar o padrão de movimento, pode progredir ou regredir os exercícios sem interromper a estrutura geral do programa. Clientes de diferentes habilidades podem treinar juntos no mesmo programa, enquanto os coaches adaptam as variações conforme necessário.

 

Como Escolhemos o Exercício Certo?

Quando selecionamos exercícios, os executamos através de três filtros não negociáveis:

  1. Intencional: Ele se encaixa no nosso modelo? A que categoria de movimento pertence?

  2. Ensinável: nossos clientes podem realizá-lo com segurança? Nossos treinadores podem ensiná-lo de forma consistente?

  3. Prático: Funciona no nosso espaço? Temos o equipamento e o tempo necessários?


Um exercício deve marcar todas as três caixas para entrar no programa. Uma variação "legal", mas difícil de implementar ou de ensinar, acaba ficando de fora. A logística é importante e, no treinamento em grupo, muitas vezes é a consideração mais importante a ser feita.

 

Como selecionamos as variações do exercício?

Uma vez selecionada uma categoria de exercício, a próxima pergunta passa a ser qual variação usar e, posteriormente, como ajustá-la para atender às necessidades de cada indivíduo.

Aqui estão as variáveis que manipulamos para modificar cada dificuldade do exercício, mantendo o padrão de movimento intacto:

  • Implemento ou equipamento

  • Postura ou posição

  • Intensidade ou volume

  • Tempo ou velocidade

 

Em vez de mudar constantemente os exercícios, mudamos a forma como o mesmo padrão de movimento é expresso. Esse método permite que os clientes acumulem exposição significativa a padrões-chave enquanto ainda experimentam progressão e novidade.

A consistência impulsiona a adaptação. A variação cuidadosa mantém os clientes envolvidos. Esse equilíbrio é fundamental para uma programação eficaz em grupo de adultos.

 

Exemplo: Progredindo o Padrão de Agachamento Bilateral

Abaixo estão três maneiras diferentes de progredir o padrão de agachamento bilateral ao longo de uma Estação, manipulando uma variável de cada vez.


Fig. 8.  Goblet Squat com Calcanhares Elevados
Fig. 8.  Goblet Squat com Calcanhares Elevados

Progressão por implemento:

  • Fase 1: Zercher Squat com Sandbag (padronização, carga anterior)

  • Fase 2: Goblet Squat (maior potencial de carga via dumbbell ou kettlebell)

  • Fase 3: One-Kettlebell Rack Squat (compensar a carga para demanda adicional do Core)


Progressão por intensidade e volume:

  • Fase 1: 3 × 10 / 10 / 12 / 12 com carga moderada

  • Fase 2: 3 × 5 / 5 / 6 / 6 com carga relativamente pesada

  • Fase 3: 3 × 8 com uma carga mais pesada que a Fase 1


Progressão por tempo:

  • Fase 1: Goblet Squat Excêntrico (descida lenta de 3 a 5 segundos)

  • Fase 2: Goblet Squat isométrico (3 a 5 segundos de espera na parte inferior)

  • Fase 3: Goblet Squat seguido de um Squat Jump para desenvolver potência concêntrica


Em todos os três exemplos, a progressão é alcançada através da manipulação de uma única variável, mantendo o padrão de movimento intacto.

Então, qual abordagem é melhor? Não existe uma única opção "melhor". O objetivo é alternar diferentes estratégias ao longo do ano para que os clientes continuem a construir força, refinar a técnica e permanecer engajados sem complexidade desnecessária.

 

Como Progredimos e regredimos os Exercícios?

Para dimensionar os exercícios em grupos de habilidades mistas, contamos com progressões e regressões previsíveis.

Ao ajustar os exercícios de fácil a difícil, consideramos o seguinte continuum:

  • Com Suporte → Sem Suporte

  • Sem Carga → Com Carga

  • Simples → Complexo

  • Estático → Dinâmico

  • Devagar → Rápido

 

Esses princípios permitem que os treinadores improvisem com confiança sem abandonar a estrutura do programa.

 

Exemplo: Anti-Flexão Lateral (Prancha Lateral)

Abaixo estão seis variações de um exercício de anti-flexão lateral - a prancha lateral - ordenada da mais fácil para a mais complexa:

  • Cable anti-rotation press-out (Isométrico)

  • Tall-kneeling side plank

  • Prancha lateral com cotovelo

  • Prancha lateral com pés elevados

  • Prancha lateral com remada

  • Prancha lateral adutora (Copenhague)


A prancha lateral com cotovelo serve como nosso exercício básico.


Fig. 9. Prancha Lateral com Cotovelo
Fig. 9. Prancha Lateral com Cotovelo

Para regredir o movimento, simplificamos e retiramos carga. Mover-se para uma posição de joelhos encurta o comprimento da alavanca. Se for necessária uma regressão adicional, podemos remover a gravidade inteiramente usando um cable anti-rotation press-out hold.

Para avançar no movimento, aumentamos as demandas por meio de carga, alavancagem ou complexidade. Elevar os pés aumenta a carga, adicionar uma remanda aumenta a complexidade e incorporar o componente adutor aumenta significativamente o desafio.

Ao aplicar esses princípios, podemos dimensionar qualquer exercício para atender às necessidades de qualquer cliente na sala - sem alterar o programa.

 

Progressões, Regressões e Lateralizações

Somos lentos para progredir e rápidos para regredir. Progressões são como escadas - construídas gradualmente e conquistadas ao longo do tempo. Não pulamos etapas.

As regressões são como escorregadores. Se um exercício não tiver a aparência que queremos - mesmo após uma correção - selecionamos uma variação mais fácil que melhor se adapte ao cliente. Por exemplo, se um cliente mostrar uma inclinação excessiva do tronco para a frente em um goblet squat, podemos regredir para um squat press-out para ajudá-los a gerenciar seu centro de massa e permanecer eretos.

Também lateralizamos o exercício quando a variação prescrita não funciona bem para um cliente. Lateralizações são como pontes: exercícios diferentes relativamente no mesmo nível de dificuldade. Se um goblet squat incomoda os joelhos de alguém, podemos usar um Spanish squat, roller wall squat, ou dumbbell deadlift - variações que permitem uma tíbia mais vertical e menos flexão do joelho.

Essas opções não são necessariamente mais fáceis; elas simplesmente permitem que o cliente acesse o padrão de movimento de uma maneira que faça sentido para seu corpo.

Progressões, regressões e lateralização são sobre ajustar o programa ao cliente - e não o contrário. Lembre-se, não há exercício que um cliente tenha que fazer. O objetivo é que cada cliente tenha a oportunidade de construir força e condicionamento físico com segurança.

Conhecer os princípios e estratégias para modificar os exercícios garante nossa capacidade de atender a uma ampla gama de idades, habilidades e históricos de lesões - tudo dentro do mesmo programa.

 

Integração de Novos Clientes: Avaliação Integrada

Um programa para grupos de adultos bem projetado inclui um processo de avaliação integrado para novos clientes.

Em vez de tirar novos clientes da aula para testes formais, reunimos informações significativas observando como eles se movem dentro do fluxo do aquecimento. Isso permite que os clientes se sintam incluídos, ao mesmo tempo em que fornecem aos treinadores informações valiosas sobre a qualidade do movimento, as limitações e a aptidão para o treinamento.

 

Avaliação em Solo: Os “Primeiros 15”

Durante os primeiros 10–15 minutos da sessão, observamos três movimentos primários básicos no solo:

  • Floor slides (mobilidade dos ombros: rotação externa e flexão)

  • Leg lowers (flexão/extensão do quadril e controle pélvico)

  • Ponte (extensão do quadril e controle lombopélvico)


Esses movimentos fornecem uma visão imediata das capacidades de controle motor de um cliente. Eles conseguem mover os ombros sem arquear as costas ou abrir a caixa torácica? Eles conseguem controlar sua posição pélvica durante o movimento das pernas? Eles conseguem estender os quadris usando os glúteos em vez de compensar através da região lombar?

Juntos, esses padrões nos dizem o quão bem um cliente pode controlar seu tronco e dissociar o movimento entre os segmentos corporais - habilidades fundamentais que sustentam tudo o que fazemos na sala de treinos.


Fig. 10. Floor Slides
Fig. 10. Floor Slides

Avaliações em Pé: Identificando Restrições

Em seguida, colocamos duas avaliações simples em pé:

  • Toe touch: o cliente consegue tocar os dedos dos pés - sim ou não? A coluna vertebral arredonda suavemente ou existem segmentos planos/rígidos?

  • Mobilidade do tornozelo: o cliente pode conduzir o joelho aproximadamente 4 polegadas além dos dedos dos pés sem o levantar o calcanhar?


Essas avaliações fornecem informações sobre as restrições que um cliente pode precisar para a execução de padrões básicos de movimento. Este cliente deve realizar deadlift a partir do chão, ou se beneficiaria de um trabalho prévio para aprimorar o padrão de movimento de dobradiça de quadril? Eles devem agachar com o calcanhar elevado devido à dorsiflexão limitada?

O objetivo não é rotular ou diagnosticar, mas respaldar a seleção de exercícios e a estratégia de coaching.

 

Avaliações Adicionais: Prática de Padrões

Por fim, podemos observar uma matriz de agachamento com peso corporal simples para avaliar a competência nos padrões fundamentais da parte inferior do corpo:

  • Agachamento com Peso do Corpo

  • Split Squat

  • Agachamento lateral

  • Reaching single-leg deadlift


Esses movimentos nos dizem muito sobre mobilidade, coordenação e controle das articulações sem fazer com que o cliente se sinta testado, destacado ou exposto.

Também recomendamos ter uma versão introdutória do programa, pronta para novos clientes. Durante a primeira semana, duas séries são suficientes. Uma sessão que parece um pouco fácil demais é muito melhor do que uma que pareça esmagadora.

Costumo dizer aos clientes: "Quero que você acorde sentindo que fez uma coisinha no dia anterior - não como se tivesse sido atropelado por um ônibus".  Se um cliente estiver muito dolorido para se mover, é porque "salgamos demais a sopa". Você sempre pode adicionar mais sal, mas não consegue retirá-lo.

 

Condicionamento e Psicologia de Novos Clientes

Às vezes, um novo cliente quer que sua primeira sessão seja difícil. Nesses casos, um exercício finalizador curto - como um intervalado na bicicleta difícil: 10/20segundos, ou um estímulo de uma milha por tempo - pode ajudá-los a se sentir desafiados e realizados.

Tenha em mente que isto não é para a maioria dos clientes. Para o novo membro médio, um treino intervalado simples, de 10/20 segundos na bike, é suficiente. Meu principal objetivo de condicionamento para um novo cliente é que ele aprenda a ajustar a altura do assento da bicicleta. Lembre-se, uma grande parte do primeiro treino é simplesmente acostumar os clientes à nossa maneira de fazer as coisas.

Para isso, devemos entender quem é o cliente - não apenas como ele se move. As principais perguntas incluem:

  • Eles parecem intimidados ou confiantes?

  • Como eles souberam da academia? O que os trouxe aqui?

  • Qual é a sua experiência anterior com exercícios?

  • Eles têm lesões atuais ou dores persistentes?

  • Quais são os objetivos deles?


Essas informações ajudam os coaches a contextualizar as descobertas quanto aos movimentos e a aplicar o programa adequadamente. Um jovem triatleta, pais ocupados ou adultos mais velhos que retornam ao treinamento provavelmente exigem abordagens de coaching muito diferentes.

A partir daí, podemos ajustar a intensidade, as restrições e as dicas de coaching, mantendo o cliente totalmente integrado ao ambiente do grupo.

 

Encerramento: Próximos Passos para Implementação

O design do programa para grupos de adultos não precisa ser chamativo ou complicado. Precisa ser claro, consistente e adaptável. A criatividade está em como o sistema é aplicado ao longo de meses e anos - não em perseguir novidades semana após semana.

Para treinadores e proprietários de academias que desejam apoio na implementação deste sistema, o acesso a recursos estruturados e a uma comunidade de coaching conectada pode agilizar drasticamente o processo.

Modelos de programação, revisões mensais, bibliotecas de exercícios e fóruns de discussão de coaches ajudam a transformar princípios em prática.

Se o seu objetivo é treinar melhor, programar de forma mais inteligente e tornar o treinamento em grupo para adultos mais fácil de ser realizado em escala - ao mesmo tempo em que ajuda os clientes a permanecer fortes, capazes e independentes por toda a vida - este é o próximo passo.


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